Somos tão perfeitos
na mentira suave
de um espelho embaçado.
Onde o rosto se desfaz
antes mesmo de existir.
Fria como a morte
é esta ausência de tudo.
Pressiono as mãos contra o rosto —
para que chorar
se nunca importou?
se nada importa.
Uma vida inteira
presa em imagens turvas.
o futuro escurecido,
o passado dissolvido
em fragmentos sem peso.
E esta angústia persiste —
como um quarto fechado
onde nada se move.
Corro contra as trevas
e me perco na luz.
Caminhos tortos me cercam
e me devolvem sempre
ao mesmo lugar.
No espelho já não me encontro.
Sombras escorrem pelas paredes do quarto.
Vazio.
E tudo em mim se desfaz —
não como quem morre,
mas como quem continua
sem jamais voltar.
Patrick
Pinheiro
02/09/2013
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