Indiferente


Somos tão perfeitos
na mentira suave
de um espelho embaçado.
Onde o rosto se desfaz
antes mesmo de existir.

Fria como a morte
é esta ausência de tudo.

Pressiono as mãos contra o rosto —
para que chorar
se nunca importou?
se nada importa.

Uma vida inteira
presa em imagens turvas.
o futuro escurecido,
o passado dissolvido
em fragmentos sem peso.

E esta angústia persiste —
como um quarto fechado
onde nada se move.

Corro contra as trevas
e me perco na luz.
Caminhos tortos me cercam
e me devolvem sempre
ao mesmo lugar.

No espelho já não me encontro.
Sombras escorrem pelas paredes do quarto.

Vazio.

E tudo em mim se desfaz —
não como quem morre,
mas como quem continua
sem jamais voltar.

Patrick Pinheiro
02/09/2013

Fora Deste Mundo


Um dia tudo irá acabar
E tudo irá perecer,
Este dia irá chegar
e também nós iremos morrer.

Nós vamos morrer
E nem vamos saber...

Sob a terra, apodrecer.
Em silêncio, desaparecer.
Como velas apagadas
no sopro cego do abismo.

Não se trata de eternidade,
nem de qualquer salvação:
é apenas o tormento
de correr para a dissolução.

Toda ciência e conhecimento,
tudo o que se tentou saber,
afunda no mesmo escuro
depois de morrer.

E de que valem os legados,
se depois de morrer
nunca iremos saber
o que irá acontecer.

Patrick Pinheiro
21/08/13