Lagrimas de Vidro


Medo — como chorar.
Raiva do que se foi.

E o medo… onde está?
Talvez longe de mim.

Você partiu
quando eu acordei.

Acordei
tarde demais.

Mas o que sentir — eu sei?

Você já está em paz.

Choveu lágrimas de vidro
numa tarde cinza.

finas,
frias,
cortando a pele
sem deixar som.

Eu não sentiria assim
se o fim fosse tranquilo.

Patrick Pinheiro
07/11/2013

Sem Nome


O vento passa sob o sol
sem deixar sombra.

E eu fico —
sozinho,
com o passado me seguindo.

Raiva.
Medo.
Rancor.

Restos
do que ainda pesa.
Restos 
de algo que não cessa.

Eu nunca perdi essa dor.
Ou talvez
seja só a tristeza.

Não importa o nome.

Agora carrego
o teu amor —

breve,
leve,
como uma flor.

E ainda assim
tremo.

Patrick Pinheiro
10/11/2013

créditos arte: jane iverson (rag doll)

Não Existe Amor


Não existe amor.
Apenas o desejo.

Às vezes egoísta.
Às vezes… não.

Diga que estou errado.
Eu não ligo.

Não existe amor.
Apenas o respeito —
e às vezes nem isso.

O mundo cobra perfeição.
E esquece no dia seguinte.

Não queremos morrer.
Queremos sumir.

Sumir…

e talvez
voltar.

Patrick Pinheiro
26/11/13

créditos arte: Jan Bauch

Sonho Impossível


Se lembra como costumava ser?
O sol abrindo o céu —
Se lembra como costumava sentir?
E o dia nunca acabava…

Se lembra como costumava ser?
A lua sorrindo pra você —
Se lembra como costumava sentir?
E a noite nunca acabava…

Foi o brilho dos teus olhos,
e a esperança do que poderíamos ser,
que me fez sonhar o impossível —
o impossível…

Mas agora o sol se fechou,
e os dias são cinzentos.
E a nossa lua se esconde
entre nuvens e lágrimas.

E os meus sonhos —
estão longe agora.

Tão longe…

Patrick Pinheiro
01/11/13

Poema de amor


Gosto do teu jeito
quando estás aqui comigo.
Gosto do teu cheiro —
quero sempre estar contigo.

Mesmo em meio à neblina,
tudo o que você me diz
traz de volta alguma luz
do que em mim ainda é feliz.

Não sei como é morrer,
mas imagino, às vezes,
que seja quase o mesmo
que um dia te perder.

Teu beijo é silêncio doce,
teu jeito, calma e abrigo.
E se um dia você fosse,
acho que levaria
uma parte de mim contigo.

Não sei como é morrer,
mas imagino que seja
o mesmo que te perder.

Patrick Pinheiro
31/10/13

Para a minha amada Gabriele ♥

Poema de Despedida


Lembro de quando te conheci,
lembro de quando te encontrei.

Era dia, o sol brilhava
quando te encontrei —
quente, claro, quase eterno
quando te encontrei.

Um sorriso tímido na tua boca,
e algo em mim se acendeu.
Seria mais que uma paixão?
Não — não parecia ilusão.

Passar um dia contigo
era ver o tempo se perder,
clarear e escurecer
sem sequer perceber.

Passar a noite contigo
era o mesmo acontecer:
escuro e claro misturados,
e eu abraçado a você.

Lembro de quando você ia embora —
eu sorria, mesmo sem querer.
Havia algo triste na hora,
algo que eu não sabia ler.

Não sabia
que seria a última vez.

Agora sei.

Eu te beijo, te beijo e beijo —
mesmo sem te ter aqui.

Agora, às vezes,
fecho os olhos
e te beijo
na memória.

Patrick Pinheiro
01/11/13

Soneto sem métrica


Quando acordei chovia
Levantei e chovia
Olhei para o céu...
Chovia, chovia e chovia.

Fiquei horas de baixo do chuveiro
Ficaria assim o dia inteiro
Pensando no que errei
Lembrando tudo que já passei.

O meu reflexo no espelho
Ele mesmo já me dizia
Sobre a velha melancolia

E tudo que eu já vivi
Não é nada diante do que viverei
E que venha o futuro.

Patrick Pinheiro

14/10/13