Questa sera



Anoiteceu há três dias
A lua está fixa há meia semana.
E eu estou deitado no escuro
Apertado pelas paredes frias
E sufocado pelo passado.

Está é a noite mais longa
A rua é silenciosa e fria
Um gato pulou meu quintal
O som foi como um grito.

Há um buraco no telhado
Eu vi um homem me olhando
Quando percebeu que eu o vi
Bateu as assas negras e voou

Patrick Pinheiro
03/03/13

Nova Categoria no Blog

Semana passada comentei no meu Facebook que nem tudo que eu escrevo eu posto aqui, então alguns amigos me pediram para postar, depois outras pessoas ficaram me pedindo. Então se vocês querem, eu postarei! :)

Mas são coisas bizarras que eu não consigo categorizar, poemas que expressam a confusão da minha mente, por isso criei uma NOVA CATEGORIA
Poemas "Obscuros"

Alguns eu até cheguei a postar, mas foi no começo do blog e não divulguei em nenhum lugar,
Por favor não se assustem comigo. 

Se vocês acharem legal esse estilo, tentarei escrever coisas novas nessa vertente.
CONTINUEM VISITANDO O BLOG!
OBRIGADO!

Perola Aos Porcos



Perolas com os porcos
Santos no chiqueiro
Dezesseis pernas negras
Te levam para casa
Mas você não sabe mais
Quem você acha amar.
Eu tentei te salvar
Mas você foi rude.
Se você me ouvisse
Poderia viver bem
Mas você vai embora.
Porcos no teu espelho
É hora de acordar
Mas você esqueceu
Ontem foi sexta.
Hoje não trabalhamos
Você entra as sete
E cai nas garras do demônio
Durante a madrugada
E se permite enganar
Por um porco do mal
Durante as noites.
Não te amo
Não te odeio
Quero-te bem
Guardo receio.
Olho no espelho
Vejo um velho
Me perdi totalmente
Em outra pessoa.
Me perdi em você
Que me machuca
Que me despreza.
Perdi quem eu amava
E nem posso vê-lo
Talvez depois da vida,
Mas a vida não passa
E nem essa saudade
De tudo que eu perdi
E o que ainda não vi.
Perolas com os porcos
É o que eu vejo sempre
Quando te vejo ali
Escondida e perdida
Sendo devorada.

Patrick Pinheiro
28/01/13

Cura


Perdoar não é esquecer, é aprender a conviver com a ferida causada por alguém. É entender que é preciso libertar a pessoa da culpa, para que isso não faça crescer no nosso campo de cultivo a mágoa e o rancor, que são pestes que destroem o nosso campo (mente). Destrói tudo aquilo que ás vezes levou-se anos para plantar, cuidar e crescer. O perdão é a cura para a mágoa, é a ponte que une os desentendidos.  Toda ferida dói, mas depois cicatriza, e a cicatriz fica para não esquecermos. É como uma recordação de um erro, logo, é uma lição para a vida que só os sábios conseguem ler.

Patrick Pinheiro
06/01/2013 

A Ultima Canção


Uma melodia
Quebrou o silencio
Naquele momento
Acreditei no improvável
Tão irreal
Tão natural
Eu sinto e relembro
Eu realmente acreditei
Que seria para sempre

Mas esse ano
O inverno não chegou
O outono ainda vai me desfazer.
E não sei se estou triste
Por que nunca mais
Nos beijaremos como antes
Ou por ouvir este som
E consentir que é
A nossa ultima canção...

Este som me relembra
Aqueles dias frios de julho
Tão formal
Tão casual
Gelei só por pensar
Que esta musica é
A nossa ultima canção.

Patrick Pinheiro
20/03/2013

Desconexo



Esperando por nada
É assim toda noite
Vazio como o céu
E frio como a morte.
Dias passam iguais
Mas este sentimento...
Noites vem e vão
Menos essa memória...
E é assim toda noite.

Mórbida monotonia
Dentro do quarto
É sempre assim,
Achei que não voltaria
Dentro de mim
É sempre assim,
Eu não me sentiria
Fora de mim
Mas é sempre assim...

É sempre assim.

Patrick Pinheiro
17/03/13

Pleurer



Sei que vivo nesse mundo cinza,
Mas não sei se o meu é o mesmo.
Sei que estou vivendo,
Mas não sei até quando.

Às vezes me sinto parte da natureza,
Às vezes cada hora que passa parece ser a ultima.
Às vezes penso que nada é o que parece
E quase sempre faço a mesma prece.

Chorar não paga o meu langor,
Minhas lagrimas valem mais.
Talvez não exista mesmo amor,
Mas sei que um dia já o senti

Patrick Pinheiro
13/03/2013

A Fonte mística


Antes de anoitecer saí de casa com um pressentimento que deveria andar sem rumo. Caminhei pela floresta que fica perto da vizinhança, andando sem rumo ou propósito, apenas segui meus próprios passos. Enquanto o dia apagava entre as arvores secas da floresta e o céu parecia mais velho a cada segundo. Caminhei até chegar a uma fonte entre as árvores, já estava escuro, mas aquelas águas brilhavam como se houvessem lâmpadas mergulhadas. Cheguei mais perto e uma voz disse “Um desejo... apenas um desejo seu eu realizarei...”. Eu sabia que deveria fazer o desejo que sofre no meu coração há muitos anos, e disse “Quero só mais um dia... mais um dia como antes, mais um dia com ela”.

O Amor É Lógico



O amor é tão lógico
Mas não faz sentido.
Nada tão ideológico,
A causa do coração partido.

O amor é tão lógico
Que eu fiquei perdido.
Um pouco mitológico
Que não pode ser refletido.

Nasci no meio de um jogo de dados
Que marcam zero em todos os lados

Esse jogo da vida
Esse jogo da morte
Esse jogo de sorte
Esse jogo do amor...

Patrick Pinheiro
07/03/2013

Envelhecer



A lua cai sobre mim.
Sinto o peso da noite.
Nunca imaginei noites assim —
tudo se perdendo no nada.

A essência que escorre dos olhos
não volta depois de perdida.
Pelas janelas da alma eu vi
jorrar um mar de lágrimas.

Levou tudo o que eu possuía.
E levou também
um pedaço de mim mesmo.

Agora estou solitário —
mais do que nunca.
Perdi meu vocabulário;
já não encontro palavras.

Hoje já não sei quem sou.
Há um estranho em mim:
um velho nos meus olhos
e um jovem que se afoga,

dentro de mim.
 
Patrick Pinheiro
05/03/2013



Desejos Perdidos


Em uma noite como esta,
eu corria na sua direção.
Você me olhava — sorrindo —
e nos beijamos, sem razão.

Um beijo quase infinito.
Só acordei quando dormi.
E quando fechei os olhos de novo,
era esse beijo que eu vivi.

Em uma noite como esta,
segui na direção contrária.
Você partia em silêncio,
e a noite ficou mais vazia.

Um adeus — duro, imóvel.
Fiquei onde você me deixou.
Dormi sem descanso algum,
acordei com o que acabou.

Confusão na minha mente.
Tudo ainda parecia igual —

mas já era o fim
do amor
que vivi.

Patrick Pinheiro
28/02/13

créditos arte: Paul Edouard Crébassa