Ruas de Ouro [Melodia]

Vou postar para vocês mais uma melodia que gravei:



Mais uma reflexão sobre a vida,
a morte e a eternidade.


A postagem original está aqui:

Desintegrando-se

Eu sinto falta do passado
Sinto falta de dias azuis
Quando estava ao seu lado
Tudo parecia mais fácil.

Oh eu sinto falta daqueles dias
Dias de sol radiante e calorosos
Daquelas noites luminosas
Que pareciam nunca acabar.

Em mil pedaços espalhados
Como vidro, vidro quebrado
Estou caído no chão destruído
Sofrendo de dor e esquecido.

Como a fumaça que desaparece
E se desintegra para o nada
Sinto meu espirito sair de mim.
Junto com ele a minha prece:

“Dias melhores...”

Dias que nunca chegam
Horas que não passam
Segundos são infinitos
Como meus pedaços.

Coração partido no chão
Partido em mil pedaços,
Fragmentos em chamas
Chamas que ainda amam.

Hoje me olhei no espelho,
Um velho em meus olhos.
Um rosto que desconheço
Acho que perdi minha face

Todo começo tem um final
E o final é sempre como isto
Esta triste cólera infernal.

E todo final é sempre assim.

Patrick Pinheiro
17/02/13

Palavras Cognatas


Dois corpos separados,
Tão perto e tão distantes.
Dois mundos entrelaçados,
Sem pontes, mas constantes.

Ele vive pela emoção:
Instinto, verso e melodia,
Prisioneiro do coração
Que pulsa em poesia.

Ela caminha pela razão,
Precisa, lógica e serena,
Protegida da ilusão
Que às vezes nos condena.

Mas entre línguas diferentes
Eu vejo palavras cognatas,
Semelhanças evidentes
Entre debates e serenatas.

Não são apenas igualdades,
São alianças inesperadas,
Duas almas pela cidade
Que um dia foram machucadas.

Discutimos em duas línguas,
Sem entender quase nada delas,
Mas quando te beijo é perfeito:
É perfeito o encontro delas.

Patrick Pinheiro
19/02/13

À Noite



Armas tomando vidas
De homens sem futuro
De um presente sombrio,
Enquanto você dorme.

Mães e crianças no frio
Numa esquina qualquer
Esperando um futuro,
Enquanto você se aquece.

Maquiando um rosto vazio
Acariciando um homem velho
Uma moça sem perspectiva,
Enquanto você está seguro.

Homens buscando a cura
Mergulhando na doença
Se entregando ao vicio
Afogando-se em garrafas.

Se perdendo nas garras
Nas garras de anjos caídos
Na madrugada escura.

Um raio de luz no horizonte
Não, não é de esperança.
É o sol chegando novamente
Trazendo mais um dia cinza

Enquanto você dorme
Enrolado em uma cama
Seguro e aquecido...

Patrick Pinheiro
16/02/13

Visão alucinatória



Em uma noite chuvosa e quente,
percebo algo na minha janela —
como uma luz escura me observa,
como uma nuvem que me espera.

É ela.
É ela que me chama —
maldita melancolia.

Cala-te.
Sai de mim.
Não me deixa assim.

Algo se move no canto.
Eu juro — eu vi entrar.

Leve como um lenço no ar,
ela se espalha sem tocar.

Vejo o vulto se formando.
Sinto-o se aproximando.

Fria como a madrugada,
faz-me cair, sem defesa.

Um sono fundo me arrasta —
e algo em mim atravessa.

É ela.

A melancolia
me devorando.

Patrick Pinheiro
14/02/13

Algumas injustiças




Hoje não vou escrever nenhum poema, nem reflexão. Hoje me sinto como alguma fumaça, sinto-me desintegrar no ar para sumir e nunca mais voltar. Por que nos sentimos assim de vez em quando? Ahh sinto-me só, sinto como se nada fizesse sentido, nem as coisas pelas quais eu luto... Nada mais faz sentido. Parece que não importa mais se todos nós morrermos, não importa mais.

Como a vida continua fora do meu quarto? Como as coisas ainda funcionam? Olho pela janela e a única coisa que me identifico é a lua, solitária e esquecida, só é lembrada quando se torna necessária, mas em geral é apenas mais um enfeite da natureza. Os seres humanos são desprezíveis demais...

Hoje em dia o amor não é algo valioso, nem importante na vida das pessoas. É comum alguém que disse “eu te amo e quero te amar para sempre” dizer “não te amo mais”, e é comum algum estranho em menos de uma semana dizer “eu te amo” para alguém que conhece em menos de um mês. O amor não existe mais, talvez em algum lugar bem longe de mim, já que não o vejo em lugar nenhum. Acho que quando se ama alguém de verdade é impossível deixar de amar, talvez a paixão passe, mas o amor deveria ser eterno.

É injusto. Algumas coisas nunca deveriam acabar e duas dessas coisas são os nossos pais. Outra deveria ser a paixão. Quando estas coisas acabam, isso acaba com a gente, e ficam apenas lembranças. Se eu pudesse ser o que eu quisesse, seria o tempo, poderia voltar e congelar as coisas para ficarem como eu gostaria. Mas sei que isso é impossível e também é fútil.

Se pudesse também fazer algo, faria você não ler isso tudo até o final. Haja paciência em me aturar. Mas obrigado! Se você chegou até aqui.

Seul Contre Tous



Não estou mais interessado no que sinto
Já cansei de procurar razões para os fatos
Já que a vida é como um campo minado
Ganhar ou perder faz parte disso.
Existem muitas perguntas proibidas
E não devem ser perguntadas,
A resposta não está neste plano,
Não se faça estas perguntas;
Pode ser torturador...

Cansei de tentar saber as razões das coisas
As razões pelas quais sofremos às vezes.
Se o que acontece aconteceu no passado;
O que ganharei questionando o passado?

Não se trata de refletir sobre o presente
Nem de questionar o mundo
E sim de perseguir fantasmas:
Memórias mortas no cemitério da nossa cabeça.

Patrick Pinheiro
11/02/13

Coração e consciência




Quando o óbvio parecer errado
E o impulso tomar conta da mente
E o controle próprio fica de lado
O futuro se fecha para o presente.

São as consequências que vem
Atos impensados resultam nisso
Você perde o que acha que tem
E as dores são sempre como isso.

Consulte a sua consciência
Evite outra consequência...

Patrick Pinheiro
08/02/13

Balada das Estações


Coração pulsante no peito florido,
sorriso leve como a brisa ao entardecer,
olhos brilhando no mundo colorido —
era a vertigem do primeiro beijo.

Longas noites de inverno juntos,
como dois destinos entrelaçados,
duas partes do mesmo conjunto.
Eu não quero que acabe — ela disse

Até que aquela estação passasse…

Um aperto sufocante no peito,
o sal das lágrimas nos lábios,
caindo de olhos já sem brilho —
a dor do fim, súbita como um gatilho.

Não nego que ainda sinto
o que talvez não deveria.
Não nego que ainda existe
uma sombra de saudade.

E embora saibamos
que já não devemos tentar,
algo em mim ainda repete
aquilo que o tempo não quis calar.

Talvez um dia eu volte a cantar:

However far away, I will always love you…

Patrick Pinheiro
06/02/13

Sinto por você



Perco-me olhando para estas fotos
Enquanto todas aquelas lembranças
Transformam-se num temível sentimento.
Ódio de um presente futuro sem você.

Voltar para casa e assistir o jornal
Mais uma nova desgraça na tevê
A novidade de hoje é a memória de amanhã.
Mais jovens morreram com seus sonhos.

Enquanto do outro lado da cidade
Uma garotinha se esconde em seu quarto.
Medo e angustia no escuro.
Esperando pela morte do seu agressor,
Esperando pela morte dele...

No céu escarlate um luar enferrujado
Sobre uma noite de sonhos perdidos.
Um velho dentro da minha mente
No reflexo dos meus olhos no espelho.

Uma mãe chorando pela ida,
Lutando pela paz no oriente
O filho matando pela vida.
Esperando um futuro melhor,
Esperanças de um futuro melhor...

Às vezes nos afogamos em nós mesmos
Às vezes morremos em nós mesmos...

Isto é como o que sinto por você
Como o ódio que sinto por você
Que sinto por você...

Patrick Pinheiro
31/01/13

Ela está morta



Não creio, ela foi embora.
Não está mais entre nós.
Ela disse que está morta
Nunca mais ficaremos a sós

Onde ela estará agora?
Que foi tão meiga e suave.
O que pensar nesta hora?
Nada apenas sinto saudade.

Ela vivia tão delicada comigo
E agora está sempre morta.

Sempre morta
Minha amada
Está morta...

Ela disse que está morta
Ela está tão mudada agora
Ela disse que vai embora.
Meu tempo ficou sem hora.

Sempre morta
Mulher amada
Está morta...

Se eu pudesse te trazer
E te fazer viver comigo
Tu irias ver e conhecer
Teu amor e teu amigo.

Mas agora é tarde
Ela está longe agora
Onde não posso estar.
Eu dentro, ela fora.

Eu? continuo aqui
Ela? se diz morta...

Patrick Pinheiro
22/01/13