Correndo para o nada


Todas as manhãs
eu acordo

e não penso no que perdi.

Nem no que virá.

Penso
no que sonhei.

E alguma coisa em mim
ainda chora —
mas já não importa.

Você se foi.

E levou tudo
que havia em você.

Agora te olho
e não sinto nada.

Nem os teus olhos
me dizem algo.

Tudo o que foi
não volta.

Mesmo assim,
quando você diz que me odeia,
eu não acredito.

Acho que ainda resta
alguma coisa —
mesmo que pouca,
mesmo que escondida.

E toda vez
que eu chego perto,

você vai embora —

e eu fico
um pouco menos.

Patrick Pinheiro
30/01/13

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