Visão alucinatória



Em uma noite chuvosa e quente,
percebo algo na minha janela —
como uma luz escura me observa,
como uma nuvem que me espera.

É ela.
É ela que me chama —
maldita melancolia.

Cala-te.
Sai de mim.
Não me deixa assim.

Algo se move no canto.
Eu juro — eu vi entrar.

Leve como um lenço no ar,
ela se espalha sem tocar.

Vejo o vulto se formando.
Sinto-o se aproximando.

Fria como a madrugada,
faz-me cair, sem defesa.

Um sono fundo me arrasta —
e algo em mim atravessa.

É ela.

A melancolia
me devorando.

Patrick Pinheiro
14/02/13

6 comentários: