Frio



Diante da floresta escura,
a luz fria do crepúsculo
toca a montanha de gelo.

A lua insiste
em iluminar
o que já morreu —

um coração
tão frio quanto ela.

Como um animal, não sorri.
Frio como o vento da noite,
já não reconhece
o próprio rosto ao amanhecer.

Não sabe mais
o que é sentir.

Os sonhos de jovem —
restos de razão —
ainda o impedem
de se entregar por completo.

Mas foram esses sonhos
que o trouxeram até aqui:

aceitar.
calar.
endurecer.

É sempre o mesmo fogo
que me queima
e me consome.

E no fim, aprendemos:
a dor cicatriza,
mas nunca volta
a ser o que era.

Coração frio,
cicatrizado.
Sonho amargo,
congelado.

Ainda há algo
nos olhos —
mas, como gelo,
não se move.

O dia passa.
A noite fica.
E tudo é igual.

E eu —

já não sei
se ainda existo.

Patrick Pinheiro
13/01/2013 

4 comentários:

  1. muito bonito o texto, estou seguindo seu blog pode retribuir?

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  2. É triste quando não mais nos sentimos, quando nos vê-mos flutuar no mundo como se a gravidade fosse 0 em nossas vidas. Mas é bom quando reconhecemos este estado de nós, pois as possibilidades de mudar-mos aumenta.
    Gostei do texto. Beijo!

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  3. Não lute mais
    Descanse
    Não dê força para seus inimigos
    Vença-os com o perdão
    Não cultive a impaciência
    Vença a com a segurança
    Não delapide a paz dos outros
    Coopere com o silêncio
    Não se afaste do seu coração
    Una-se a si mesmo
    Não dê trelas aos problemas
    Vença-os com a luz interior
    Não coopere com as críticas
    Supere-as com seu desprezo
    Não se deixe vitimar
    Assuma sua liberdade de escolha
    O bem é saber
    que o único meio de vencer
    É usar a inteligência
    com compaixão
    Por isso não lute mais
    Descanse

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